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Breves considerações sobre os efeitos de grandes chuvas na dinâmica de poluentes

Joao PM Torres – IBCCF/UFRJ

Nestes tempos de águas de março caindo em abril, me lembrei de alguns conceitos científicos que são de interesse geral. Os ciclos sazonais, isto é, aqueles que são diretamente ligados à passagem das estações do ano, influenciam sobremaneira o transito de poluentes pela biosfera.

Sem precisarmos nos aprofundar muito, quem, ao olhar para o mar, não pode perceber que havia uma enorme mancha cor de café com leite nas proximidades das desembocaduras dos rios e canais?

Pois é, o que todos notamos, foi a imensa carga de sedimentos carreados para a costa pelo fenômeno que os cientistas chamam de “run-off”. Esse arraste traz consigo todas as porcarias do mundo, inclusive as substâncias tóxicas persistentes.


Esse efeito tem uma importância enorme para os estudos da poluição ambiental, pois significa que o transporte de partículas contaminadas, independente de sua origem primária é feitos por pulsos, que são diretamente ligados às chuvas. A maior parte dos metais pesados e mesmo dos micropoluentes orgânicos adora estar ligado a partículas sólidas.

Mas se formos nos atentar em detalhes para esses acontecimentos, cabe aqui destacar um outro fato interessante, o pulso de arraste de contaminantes, ele tem um componente temporal importante, sendo mais intenso nas primeiras horas da chuva do que nas horas subseqüentes.

Esse conhecimento é também importante em outras áreas do continente, que não exatamente na zona costeira. Os nutrientes que fertilizam a terra, desde que o mundo é mundo estão sendo arrastados rios abaixo, terminam, por exemplo, indo se alojar nas represas e nos lagos, causando muitas vezes a “eutrofização” destes ambientes, isto é, um aumento brutal nas concentrações de energia disponível, causando efeitos indesejados como os “blooms” de algas tóxicas.

Voltando ao início do parágrafo anterior, não é à toa que “desde que o mundo é mundo”, os deltas e as planícies de inundação periodicamente inundadas e “forradas” com sedimento novinho, foram os locais de escolha para os primeiros assentamentos humanos associados ao surgimento da agricultura.

Desta maneira, fica fácil entender por que as praias cariocas ficam impróprias para o banho até 48 após uma grande chuva....

Valei-me São Pedro, se ainda não morremos afogados, morreremos contaminados...
E que o bom Deus tenha pena de nós!!!

 

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