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Centros de Ciência como ferramentas para Educação em Ciências
Gustavo Rubini

Conferencista:
Jayant Narlikar - Diretor do Inter-University Centre for Astronomy and Astrophysics (Índia)

O astrofísico e cosmólogo indiano, Jayant Narlikar, foi motivado para a ciência na infância, devido a exposições de experimentos científicos organizadas por estudantes universitários. Sua postura frente aos experimentos passou gradualmente de um encantamento mágico, para um fascínio pelas aplicações da ciência, na medida em que entendia os princípios por trás de cada aparato. Com isso, ele deixou claro, durante a sua Conferência no 4º SCWC, que o contato com o ensino não formal foi determinante na escolha de sua carreira.

Em seguida, o astrofísico comentou sobre a importância dos centros de ciências para a educação científica dividindo-os em quatro categorias, fazendo a ressalva de que esta divisão é flexível e, portanto, um centro de ciências não se restringe a apenas uma delas:

I - Planetários - Tratam de temas ligados à astronomia. Evoluíram de simples projeções estáticas nos tetos e paredes para exibições de filmes científicos.

II - Exploratórios - Pequenos centros de ciência nos quais a interatividade com os experimentos é o fator essencial. Partem do pressuposto de que os experimentos no ensino de ciências são uma necessidade e não um luxo.

III - Museus de Ciências - Centros maiores que os exploratórios e que, portanto, possuem infra-estrutura para tratar de vários temas.

IV - Parques Científicos (Science Cities) -São os centros de ciência em maior escala. "Disneylândias científicas" nas quais a educação científica antecede o entretenimento.

Cada tipo de centro de ciência possui uma maneira de contribuir para educação científica. A partir de exemplos de centros de ciências da Índia, Narlikar detalhou as formas não apenas de divulgar o conhecimento científico, mas principalmente a visão lógico-racional da ciência em contraste com o pensamento mítico e as pseudociências.

Os planetários têm a capacidade de mostrar quais estrelas eram visíveis em determinado local e época de um evento histórico. Desta forma, o público percebe a capacidade da ciência de prever a posição dos corpos celestes e estes perdem o seu caráter divino/mitológico. As exibições costumam abranger a exploração espacial pelo homem e também fenômenos que fascinam os visitantes como buracos negros e Supernovas.

Os exploratórios entusiasmam por sua característica "mão na massa", na qual o engajamento do visitante é essencial para o aprendizado. Em alguns centros de ciência, o público não apenas utiliza os experimentos, mas também os cria a partir de materiais recicláveis (Toys from Trash).
Por possuir dimensões físicas maiores do que os exploratórios, os museus de ciência são os locais ideais para tratar não apenas da ciência atual, mas também para mostrar tanto a evolução histórica da ciência, quanto as projeções feitas para o futuro. Desta forma pode-se enfatizar o lado humano da ciência e aproximá-la do público.

Os parques científicos são visitados por famílias que passam literalmente o dia inteiro dentro deles durante os fins de semana. São grandes parques temáticos - cujo tema é a ciência - que focam sua atenção nas crianças e jovens. Uma ressalva importante é a de que o excesso de atrações pode acabar por distrair o público dos aspectos científicos das exibições.

Narlikar focou sua conferência no papel dos centros de ciência na superação de antigas superstições, parte da cultura tradicional de seu país. Entretanto, existem novas superstições que surgem e surgirão devido aos avanços científicos e tecnológicos, que também merecem atenção. O papel dos centros de ciência é integrar a ciência com as culturas tradicionais e locais destacando quais aspectos são coerentes ou conflitantes com a visão científica atual e porque o são. “No entanto, esta característica "antropofágica" dos centros de ciência deve ser feita de modo não agressivo para que não haja um afastamento entre a população e a ciência."

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