| arquivo >notícias

 


NOTÍCIAS

Colhendo benefícios de uma troca frutífera entre centros de ciência
Danielle Cavalcanti

Palestrantes:
Jamie Bell, Exploratorium, São Francisto, EUA.
Maurice Bazin, Brasil.
Robson Coutinho-Silva, Espaço Ciência Viva e IBCCF-UFRJ, Brasil.
Pedro Muanis Persechini, Espaço Ciência Viva e IBCCF-UFRJ, Brasil.

A interação entre um centro de ciência nacional, localizado no Rio de Janeiro, e um grande museu de ciência de São Francisco, EUA, foi um dos temas discutidos no último dia do 4º SCWC. O Espaço Ciência Viva (ECV) e o Exploratorium desenvolveram, em meados dos anos 90, um projeto de intercâmbio que resultou em muitas lições aprendidas dos dois lados. E para falar sobre esta experiência, reuniram-se nesta sessão representantes dos dois centros.

O Exploratorium, criado em 1969, é considerado o primeiro museu interativo de ciência do mundo, ao passo que o Espaço Ciência Viva, criado mais de 10 anos depois, foi o primeiro museu interativo do Brasil.

Um dos idealizadores do Ciência Viva, Maurice Bazin, ressaltou em sua apresentação a idéia inicial para a criação do ECV: "fazer ciência em praça pública, trabalhar com o povo". E é assim até hoje, como claramente demonstrado pelo professor Robson Coutinho-Silva. Segundo Robson, o ECV apresentava eventos na rua, para a população, até que em 1986, por intermédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia, conseguiu uma sede. Porém, as apresentações em praça pública persistiram. E esta idéia de fazer ciência em outros espaços que não o próprio museu foi um dos fatores que chamou a atenção de algumas pessoas do Exploratorium já na primeira visita que fizeram ao ECV.

Dentre as lições aprendidas durante o intercâmbio com o ECV, Jamie Bell destacou o aprofundamento da noção de dimensão social do trabalho dos Centros de Ciência. Além disso, Bell argumenta que a experiência no ECV serviu para mostrar a naturalidade com que temas tabus, como sexualidade e reprodução, eram tratados neste espaço e ainda como a limitação de recursos pode estimular a criatividade. O Exploratorium também recebeu visitantes do ECV, como o próprio Robson, que participou de treinamento de professores e monitores. Esta visita fez Robson voltar com várias idéias para o ECV, que foram implantadas de acordo com os recursos existentes no espaço.

Pedro Persechini, atual presidente do ECV, mostrou o que aconteceu com este espaço nos anos após a visita do Exploratorium. Pedro discursou sobre os problemas enfrentados pelo ECV na década de 90 como: a falta de recursos públicos e privados, dificuldade financeira para fixar pessoal, afastamento dos jovens que participavam das atividades do ECV para seguir suas carreiras e a segregação existente entre cientistas, professores e divulgadores. Pedro finalizou sua apresentação mostrando que a proposta do ECV é atual e necessária para o Brasil e que precisamos aproximar cientistas, professores e divulgadores e recuperar a divulgação científica e o papel dos centros e museus de ciências no Brasil.

Volta