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| I Semana do Cérebro no Espaço Ciência Viva | Papo Cabeça Em meio aos preparativos para a I Semana do Cérebro, coordenadores adiantam detalhes do evento São nove horas da manhã de uma sexta-feira nublada. Numa pequena sala, estão reunidas cerca de dez pessoas, que discutem, debatem e não perdem o foco no que estão fazendo por um minuto sequer. Todo esse esforço tem somente um objetivo: a realização da I Semana do Cérebro, evento que ocorrerá no Espaço Ciência Viva nos dias 26 e 27 de março. Para que ocorra tudo como planejado e a Semana seja um sucesso, os professores Alfred Sholl (Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ) e Glaucio Aranha (Instituto de Ciências Cognitivas/ICC), responsáveis pela coordenação, correm contra o tempo. Faltando menos de um mês para o evento, o primeiro do gênero no Brasil, ainda há muito a ser feito, porém o pontapé inicial já foi dado por essa dupla. Sholl é doutor em Ciências Biológicas e trabalha com neurociências,
sendo assim um constante freqüentador de congressos americanos sobre o
tema desde 2006. Nesse mesmo ano, conheceu a DANA, organização
não-governamental que fomenta e apóia eventos divulgadores da
neurociência no mundo inteiro. Foi a partir desse contato que surgiu a
ideia de trazer a Semana do Cérebro para o Brasil, uma iniciativa
voltada para conscientização de alunos de ensino fundamental e médio,
pais e professores para a importância do estudo das neuro A trajetória de Aranha, por sua vez, é bastante diferente. Formado em Direito e trabalhando atualmente na área de Comunicações, o pesquisador se apaixonou pelo projeto desde seu início e viu nele uma boa oportunidade de aliar a Ciência a uma pesquisa comportamental, proveniente de sua formação acadêmica. “É importante mostrar que a idéia da Ciência lúdica é possível, sim!”, afirmou o pesquisador, que está preparando uma série de atividades interativas para o evento, utilizando a neurociência como tema de jogos de RPG, por exemplo. A dupla se mostra afinada e muito bem entrosada no que diz respeito à
organ Essa preocupação com o público-alvo é clara e pode ser encontrada constantemente no discurso de ambos. Sholl destacou a importância da desmistificação da Ciência para a sociedade, principalmente para os mais jovens e, na sua opinião, a escola é a grande responsável por essa tarefa. “Nossa proposta passa por desmistificar a figura do cientista para as crianças, fazer com que elas entendam que a Ciência está no cotidiano das pessoas. Por que não simplificá-la?” perguntou o professor. Aranha reforçou essa mesma opinião: “Considero que a iniciativa do evento é exatamente essa, a de mostrar a Neurociência como algo simples e divertido. Por isso escolhemos como tema principal os sentidos, que pode ser muito explorado no ensino, afinal através deles coordenamos nossas ações cotidianas”. As atrações da Semana ainda estão sendo confirmadas, porém Aranha e Sholl adiantaram algumas atividades, como: exposições, ciclo de palestras e um fórum sobre educação, além de uma oficina de desenho e peça de teatro com fantoches para os pequenos. Os dois acreditam numa presença maciça da sociedade, por se tratar de um evento inédito na cidade. “Estamos esperando 400 pessoas por dia, sendo que oito escolas já confirmaram presença”, comentou Sholl. A expectativa é de sucesso, apesar da pouca verba de patrocínio e da falta de incentivo por parte de órgãos governamentais, lamentada pelos organizadores. “Ao compararmos com os Estados Unidos, onde há eventos como esse em todos os Estados, podemos perceber como ainda precisamos avançar nessa área. Lá há investimentos públicos e privados no setor, apoio à montagem de laboratórios e financiamentos do governo em grande escala. Por aqui isso ainda é utopia”, concluiu Sholl, que apesar dos problemas, está radiante com a realização de seu sonho, “tomara que essa seja a primeira de muitas Semanas!”, conclui. Rafael Pinto Soares – estagiário de jornalismo científico
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