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| Especial Maurice Bazin| O Educador de Cientistas Depoimento de Tania Araujo-Jorge - Diretora do Instituto Oswaldo Cruz / Fiocruz - em 25/10 Conheci Maurice em 1982 por intermédio de Pedro Persechini e Solange Castro, meus amigos do Instituto de Biofisica que um dia me levaram para uma reunião que preparava um evento de astronomia numa praça da Tijuca. Duas coisas me atraíram muito no convite que Pedro me fazia para integrar o recém criado grupo Espaço Ciência Viva, o ECV, como chamávamos: a possibilidade de aproximar a ciência das pessoas comuns, e a possibilidade de interagir com um grupo multi-disciplinar. Havia físicos, matemáticos, astrônomos, biólogos, químicos, e eu seria a primeira médica a me integrar ao grupo. Uma médica mais bióloga do que médica, mas com formação médica e trabalho de pesquisa em saúde.
Fizemos toda a logística do evento, todo o conteúdo do evento, textos para convites, convocatorias, pedidos de apoio financeiro, contatos com professores, com associações de moradores, com escolas, com a prefeitura, com as universidades para empréstimo dos equipamentos, fotos, posters, slides para conferencias em praça publica, jogos e dramatizações, enfim, tudo. E os eventos foram saindo, se sucedendo, os temas diversificando. Em paralelo fizemos um profundo trabalho intelectual de sistematização da proposta político-educativa do Espaço Ciência Viva, elaborando o projeto para captar recursos para a sustentabilidade do grupo: primeiro através do PADCT-Capes (projeto PI-348/ CAPES,PADCT-29/84), depois com a Fundação Ford e sucessivamente com CNPq, Faperj, Finep e todas as agências possíveis. Em todos os projetos fui uma grande parceira de Maurice e outros colegas na redação dos textos. E nos aproximamos cada vez mais, pois na ação e na elaboração textual compúnhamos mais e mais afinidades. Tenho muitas historias a lembrar e a registrar com Maurice, até de nossas brigas e divergências, que também ocorreram, apesar de bem poucas. Maurice estava sempre de bom humor, ria, sorria, brincava. Hoje minha linha de pesquisa articula ciência, arte, saúde e alegria. Maurice buscava sempre as soluções e nunca se intimidava com os problemas. Hoje eu dirijo o Instituto Oswaldo Cruz com esse mesmo espírito. Maurice buscava sempre parcerias, e se abria o mundo. Tinha amigos por toda parte e nos dava seus telefones e endereços, compartilhando seus amigos conosco para que a rede se fortalecesse. Ele me ensinou a fazer isso, parcerias, redes, cooperações, relações de confiança e de construção de coisas e pensamentos, atos e afetos.
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