| Especial Maurice Bazin|

Maurice Jacques Bazin - Curriculum Vitae Narrativo

Nasci em Paris, França, em 1934.

Minha formação académica incluiu a ECOLE POLYTECHNIQUE onde tirei primeiro lugar no concurso de admissão. Aprendi línguas estrangeiras em universidades de verão organizadas pela UNESCO na Inglaterra, Áustria e Alemanha


CARREIRA ACADÊMICA COMO FÍSICO

Fiz meu Ph.D. em Física experimental de altas energias na Universidade de Stanford nos Estados Unidos no grupo do Professor Panofsky, utilizando o acelerador linear de elétrons. Ao mesmo tempo escrevi com o matemático Menahem Schiffer e o físico Ronald Adler o livro texto Introduction to General Relativity (1a ed. 1965, 2a ed. 1975) que se tornou clássico na pós-graduação no mundo inteiro.

Em 1962-63 trabalhei no Laboratoire de l'Ecole Polytechnique em Paris e no CERN, estudando partículas elementares com fotografias de câmaras de bolhas. Fui contratado pela Universidade de Princeton em 1963 onde ensinei e dirigi várias teses de graduação e de doutorado até 1968 quando aceitei uma posição com "tenure" na Universidade de Rutgers. La, criei vários minicursos especializados em física e astronomia. Participei também da organização do Livingston College da universidade, que encorajava multidisciplinaridade e atendia um público pluri-racial. Criei o curso "Ciência e Terceiro Mundo" nesta Universidade.

Criei e dirigi o Departamento de Física do Instituto Universitário de Évora em Portugal de 1976 a 1978.

Me radiquei no Rio de Janeiro e entrei no Departamento de Física da PUC/RJ em 1979 como Professor Associado. Lá dirigi várias teses de mestrado em Física experimental de ótica de Fourier e em Astrofísica e Relatividade Geral. Participei de várias bancas de doutorado no CBPF e dei seminários e palestras em muitas universidades. Junto com o Professor Tiomno aproveitei as proclamações midiaticas do Professor César Lattes para oferecer apresentações experimento-teóricas sobre a teoria de Einstein em várias instituições.

TRABALHOS DE TREINAMENTO DE PROFESSORES.
EDUCAÇÃO DE ADULTOS EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO.

Me interessei pelos problemas de formação de professores em contato com colegas de Princeton que participaram da elaboração do programa PSSC nos Estados Unidos e propunham o seu uso nos países da América Latina. Tinha conhecido os problemas sociais do subdesenvolvimento durante uma longa viagem que fiz pela América Latina após terminar meu Ph.D. nos Estados Unidos em 1962.

Introduzi o curso PSSC no Instituto Pedagógico de Caracas, Venezuela, durante o verão de 1967. Daí em frente passei todos os verãos universitários treinando professores em vários países, dando meus próprios cursos de extensão no Chile e na Argélia ou participando de cursos organizados pela UNESCO em Cuba e em Angola. Servi, então, várias vezes, de consultor para o Programa de Ciência e Tecnologia das Nações Unidas nos países africanos de língua portuguesa. Minha última missão como consultor da UNESCO foi na Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique em dezembro de 1987. Durante estes anos encontrei e trabalhei em várias situações com Paulo Freire, iniciando assim uma profunda amizade.

Durante os anos que passei em Portugal (1975-1978) fui convidado pelo Professor Rui Gracio da Fundação Gulbenkian e então Secretario de Estado para a Orientação Pedagógica, a integrar a equipe de educadores que preparou e executou o programa de reciclagem de todos os professores do ensino secundário após a queda do regime fascista. Publiquei então, em co-autoria com o matemático americano Sam Anderson o livro Ciência e (In)dependência, O Terceiro Mundo frente à Ciência e Tecnologia, na casa editora Livros Horizonte (1976).

POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA.  JORNALISMO CIENTÍFICO
ORGANIZAÇÃO DE CENTROS DE CIÊNCIAS

Durante minha permanência em Portugal fui correspondente da Pacifica Radio dos Estados Unidos e correspondente da revista NATURE no fim dos anos '70. Chegando ao Brasil em 1979 continuei como correspondente da NATURE e escrevi sobre as situações tecnológicas novas que penetravam o pais (Programa do Álcool, Programa Nuclear, etc.)

Outra vertente deste meu trabalho educacional e de divulgação foi despertada pela minha primeira visita ao EXPLORATORIUM de San Francisco na Califórnia em 1982. Nesta altura, já radicado no Brasil desde 1979, e tendo participado ativamente da criação e da execução do "Seis e Meia da Ciência" da SBPC-RIO, reuni alguns colegas universitários para fundar o Espaço Ciência Viva, como mais uma contribuição para as atividades de divulgação científica da comunidade de cientistas brasileiros.

As atividades do Espaço Ciência Viva em lugares públicos do Rio de Janeiro trouxeram por primeira vez no Brasil uma Ciência praticável por todos ao ar livre. Em conjunto com Associações de Moradores e DECs de muitos bairros da cidade e do Município, "Apagaram-se as Luzes da Praça Saenz Peña para ver o Céu mais de perto", como anunciou certa vez o JORNAL DO BRASIL na primeira página. Outras atividades de popularização da Ciência levaram a equipe do Espaço Ciência Viva ao Jardim Botânico onde se descobriu a presença de bactérias magnéticas nos riachos que alimentam a Lagoa Rodrigo de Freitas. A atividade chamada "Noite do Céu" foi levada à Praça Santos Dumont em Nova Iguaçu e contou com a participação do MAST e do Professor Rogério Mourão com sua coleção pessoal de grandes lunetas. Em muitas das atividades de astronomia e de biologia o grupo de teatro carioca "Tá na Rua" dirigido por Amir Haddad juntou-se aos cientistas do Espaço Ciência Viva criando assim eventos culturais ricos, científicos e participativos.

Na inauguração do Espaço Ciência Viva na sua sede definitiva na Tijuca foi mostrada a única exposição originada da Índia sobre a catástrofe de Bhopal. Esta sede, um galpão remanescente das obras do Metro, foi cedida pela Secretaria Estadual do Planejamento no chamado primeiro governo Brizola. Programas de formação de professores e de normalistas foram criados no Espaço, em parte através de convénio com a Secretaria Municipal de Educação.

Em 1987 recebi uma das primeiras bolsas ASHOKA no Brasil. Pude então me dedicar mais e mais à organização institucional do Espaço Ciência Viva. Organizei a vinda de exposições de Matemática do Musée de La Villette em Paris e de "Historia da Sexualidade" do Musée d'Histoire Naturelle de Paris. Nesta ocasião organizei uma semana de divulgação da biologia da AIDS com a participação do Betinho. Passei três meses no EXPLORATORIUM em 1988 estudando o seu funcionamento e participando da criação de experimentos participativos e de programas de treinamento de professores do próprio museu.

 De 1988 até 1990 fui cedido pelo CTC da PUC/RJ à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia dirigida pelo Dr. José Pelucio com quem cooperei na organização de eventos científicos em várias cidades do Estado. Apoiando o programa de ação da Secretaria, a pedido do Professor Pelucio participei da reanimação do  Centro de Ciências do Estado e organizei, a partir do Espaço Ciência Viva, o treinamento dos seus professores.

De 1990 até 1996 dividi o meu tempo entre o Espaço Ciência Viva no Brasil, o EXPLORATORIUM onde fui co-diretor do Teacher Institute (Instituto de Treinamento de Professores), e um centro comunitário de Ciências bilingue chamado "Mission Science Workshop/Taller de Ciencias de la Mission" em San Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos.

Recebi o título de Doctor Honoris Causa pela Open University, England, em 1994.
 

Em Março de 1996, fui convidado como consultor pela secretaria Estadual de Educação do Paraná para coordenar e oferecer uma série de oficinas de Ciências para 200 professores de 5a a 8a série. Em junho de 1997, coordenei e executei com 24 colegas o treinamento em Ciências de 450 professores na Universidade do Professor no Paraná. Ofereci durante estes anos várias oficinas de ciências e matemática no Museu de Astronomia do Rio de Janeiro, no CEFET de Curitiba e na Escola Técnica de Florianópolis. Dei a palestra inaugural do Encontro Nacional de Centros de Divulgação Científica na Casa da Ciência, Rio de Janeiro, 1997.

Entre 1995 e 1998 publiquei a "Exploratorium Teacher Activity Series" que oferece atividades em Ciências para professores, baseadas em criações de várias culturas. O primeiro fascículo, "Math Across Cultures" foi  publicado em 1995; o segundo, "Science across Cultures" em 1997, e o terceiro, "Patterns across Cultures" em 1998. Eles propõem atividades de matemática que utilizam documentos Mayas, Incas e Egípcios. e atividades de física e química baseadas em técnicas de povos nativos das Américas, da África e da Ásia. Destes trabalhos resultou um livro:
Math  and Science Across Cultures; Activities and Investigations from the Exploratorium;. Bazin, Maurice,  Modesto Tamez , and the Exploratorium Teacher Institutue. New York: The New Press, 2002.

No Rio de Janeiro publiquei vários artigos na revista Ciência Hoje das Crianças e um no número zero da revista Explora, também iniciada pela SBPC-RIO. Colaborei regularmente uma página de Ciência e Tecnologia no jornal “A Noticia” de Joinville, Santa Catarina em 1999-2000. Preparo também um livro de ensino de Matemática e Ciências a partir das técnicas de cestaria dos povos indígenas das Américas.

Sou consultor do Pavilhão dos Conhecimentos/Centro Ciência Viva de Lisboa inaugurado em julho de 1999. Sou consultor da ONG Socioambiental para apoio ao povo Tuyuka no Alto Rio Negro

assinatura

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