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Novas Tecnologias da Genética Humana:
Avanços e Impactos para a Saúde

As novas tecnologias utilizadas na área das Ciências Biológicas e Físicas tem sido cada vez mais discutidas pela sociedade, tendo sido o tema central do debate realizado em Março, na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/ Fiocruz), no Rio de Janeiro. O Seminário “Novas Tecnologias da Genética Humana: avanços e impactos para a saúde” reuniu especialistas de diversas áreas para a reflexão acerca do impacto das novas tecnologias da genética na saúde humana. Nanobiotecnologia, Terapia Gênica, Farmacogenética, Bioética e o Patenteamento das novas tecnologias estão entre os temas tratados nos dois dias de evento.

A Terapia Gênica, intervenção médica baseada na modificação do material genético de células vivas, foi assunto da apresentação ministrada por Melissa Armelini, da USP e Sang Won Han, da UNIFESP. Os pesquisadores ressaltaram que tanto doenças hereditárias como doenças adquiridas são alvos de estudos e aplicações de terapia gênica. Entretanto, “as análises de riscos neste tipo de terapia são seguras?”, indagou Volnei Garrafa, coordenador da Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília. Volnei, a maior autoridade brasileira em estudos de Bioética, fez uma brilhante apresentação onde ressaltou a importância das discussões em torno do tema na sociedade atual permeada por tantos avanços tecnológicos. “Pela primeira vez na história do planeta estamos mexendo com a essência da vida (...) Hoje, os limites da ciência não são mais de nível técnico e sim ético”, diz o pesquisador. Para Volnei, a ciência não deve ser controlada; ela pode ser feita de forma livre, porém responsável. Já a tecnologia sim deve ser controlada. Finalizou sua apresentação com a reflexão de que “a ética sobrevive sem a ciência e sem a técnica, sua existência não depende delas. A ciência e a técnica, no entanto, não podem prescindir da ética”.

No segundo dia de discussão, os temas que pautaram o debate foram a Nanobiotecnologia e o patenteamento das novas tecnologias. Nelson Duran, coordenador da Rede de Nanobiotecnologia do CNPq/ MCT, traçou um panorama das perspectivas desta área para a saúde humana, enfatizando o desenvolvimento de fármacos encapsulados em nanopartículas, que poderiam atingir o alvo em nosso organismo de forma seletiva. Paulo Martins, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, mostrou que a ação do Estado de forma organizada para a nanotecnologia se iniciou no ano de 2001 e apresentou a Rede de Pesquisa em Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (RENANOSOMA), que busca estudar os impactos desta nova tecnologia, a nanotecnologia na agricultura e as questões éticas. Por fim, foram discutidos os principais desafios e perspectivas para o patenteamento das novas tecnologias. Alex Todorov, pesquisador do Centro de Divulgação, Documentação e Informação Tecnológica do INPI ressaltou que o sistema de patentes pode servir como excelente fonte de informação para a pesquisa, graças a grande quantidade de documentos que acumula, abrangência de assuntos, acessibilidade e atualidade dos temas. 

Danielle P. Cavalcanti, redatora científica do Espaço Ciência Viva

* Matéria desenvolvida a partir do Seminário “Novas Tecnologias da Genética Humana”, organizado pelo Projeto Ghente e realizado nos dias 22 e 23 de Março de 2007, na Escola Nacional de Saúde Pública- ENSP/ Fiocruz.

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