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MARTE, O PLANETA VERMELHO, DO MESMO TAMANHO

Tem sido noticiado, com lamentável alarde, que o planeta Marte será visto no céu "tão grande quanto a Lua". Isto nunca acontecerá e é o ressurgimento inoportuno de um tremendo erro de interpretação de uma notícia relativa à aparição de Marte no ano de 2003.

Naquele ano, o planeta Marte e a Terra estiveram mais próximos do que em qualquer outro momento das últimas centenas de anos.  Isto porém, correspondia ainda a muitos milhões de quilômetros de separação e em nenhum momento viu-se Marte no céu da Terra como algo maior do que um pontinho de luz brilhante.

O que acontece, de fato, é que apesar de poder ser visto no céu a cada dois anos como um ponto luminoso de coloração alaranjada, a observação de Marte ao telescópio sempre se revela decepcionante.


Marte é um planeta pequeno, pouco maior do que a metade do tamanho da Terra, e sua superfície têm detalhes com baixíssimo contraste.  Por isto, ao observarmos Marte ao telescópio não vemos muito mais do que uma "bolinha" alaranjada com uma borda esbranquiçada correspondente ao seu pólo gelado e uma ou duas manchas muito tênues na sua superfície.

Para os observadores eventuais e já acostumados com as fantásticas fotografias enviadas pelas muitas sondas que estudam Marte de sua órbita ou mesmo de sua superfície, as imagens ao telescópio são muito pouco interessantes.  Os estudiosos, no entanto, continuam patrulhando e aprendendo com o comportamento das manchas, tão sutis. Não admira, portanto, que os astrônomos tenham aproveitado ao máximo a aproximação de Marte em 2003, que tornou a imagem do planeta cerca de 10% maior quando vista através dos telescópios.  Foi uma oportunidade imperdível para os aficionados tentarem uma visão um pouquinho melhor do que aquelas que conseguem a cada dois anos.

Mais estranho ainda, é que esta notícia volte a circular com tanta ênfase quando o planeta Marte se encontra "do outro lado do sistema solar", isto é, colocando-se atrás do Sol!  Nesta época do ano, o planeta Marte está palidamente brilhando sobre o horizonte oeste e permanecendo visível, muito baixo no céu, por não mais de duas horas depois do pôr do Sol.  Até o mês de setembro, Marte estará desaparecendo sobre o horizonte oeste antes mesmo que o céu escureça completamente!

Se você quer realmente ver alguma coisa interessante no céu, venha ao Espaço Ciência Viva às quartas-feiras, a partir das 19h00m, para observar o fantástico planeta Júpiter através dos grandes telescópios construídos pelo grupo de astronomia NGC-51.
 
Venha ver, com seus próprios olhos, Júpiter e seus satélites com uma nitidez como Galileu jamais sonhou!  Venha conversar e trocar idéias com os muitos astrônomos amadores que freqüentam os encontros para entender e duvidar destas notícias fantasiosas e requentadas!

Sérgio Lomonaco
Espaço Ciência Viva - Grupo de Astronomia NGC-51

Fonte da foto:
alparavenna.it/proposteosservazione/Marte2003/Marte2003.html

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