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Einstein e a América Latina

A visita de Einstein a América Latina se deu em 1925, dez anos após ele lançar a sua Teoria da Relatividade Geral. Neste momento, o cientista era reconhecido mundialmente e sua vinda aos países da América do Sul causou grande mobilização não só na comunidade científica, mas também no meio diplomático e nas comunidades germânicas e judaicas. Einstein era visto naquele momento como um ótimo divulgador cultural e científico da Alemanha, embora sua defesa da unidade entre os cientistas em detrimento das rivalidades políticas, econômicas e militares que afetavam os países europeus no período após a I Guerra Mundial, não fossem bem vistas. O relatório do Embaixador alemão na Argentina sobre a visita de Einstein afirma que este é o homem ideal “para se contrapor à propaganda hostil e destruir o mito da barbárie alemã”, remanescentes do final da Guerra.

As palestras feitas para o público latino-americano, foram muito concorridas não só por cientistas, mas também por autoridades e pela imprensa. A intensa cobertura da imprensa das atividades do físico gerou um grande debate, principalmente sobre a Teoria da Relatividade Geral, que ainda enfrentava muitas resistências. Nos países da região, fortemente influenciados pelo positivismo na época, que pregava a utilização da ciência para o progresso social e sua capacidade de uma descrição objetiva da natureza, a Teoria da Relatividade foi vista como extremamente abstrata e sem aplicação prática imediata. A proximidade que estes cientistas tinham com a Física tradicional fez com que houvesse um estranhamento em relação às novas idéias.

Einstein e o Brasil: uma apologia ao regionalismo

No Brasil, Einstein não encontrou uma comunidade judaica tão forte como na Argentina, onde ficou por quase um mês, e de ter participado do ato em comemoração a criação da Universidade de Jerusalém. Mas seu fascínio e interesse pelo país não foram diminuídos. Pelo contrário, ele ficou fascinado com a grande riqueza cultural e étnica brasileira. Um apreciador da diversidade cultural entre os povos, se interessou por conhecer as peculiaridades de cada um, não se restringindo aos pontos turísticos, mas indo também a mercados e feiras. Esse interesse foi comentado pelo então colunista do Diário de Pernambuco, Gilberto Freyre: “nunca um estrangeiro fez entre nós uma nítida apologia de regionalismo”. Einstein chegou a conhecer os trabalhos desenvolvidos pelo Marechal Cândido Rondon junto aos índios, através do antropólogo Edgar Roquette-Pinto. Ele chegou até a sugerir que o Comitê do Nobel estudasse o trabalho desenvolvido pelo militar, pois o julgava merecedor do Prêmio Nobel da Paz.


Einstein no Brasil

Contudo, o grande vínculo de Einstein com o Brasil já se dava antes mesmo de sua chegada: no dia 19 de maio de 1919, astrônomos localizados na cidade de Sobral, no Ceará, puderam confirmar que a Teoria da Relatividade estava correta. De acordo com ele, sua teoria seria comprovada no caso de um eclipse total do Sol, já que, havendo um desvio da luz graças às deformações do espaço e do tempo na proximidade da matéria, seria possível ver as estrelas que estivessem atrás do Sol. Segundo estudos astronômicos e meteorológicos feitos na época, os dois melhores pontos para se observar o fenômeno seria em Sobral e na Ilha de Príncipe, na costa africana. Como as condições do tempo não colaboraram na ilha africana, foi em Sobral que puderam ser tiradas as fotografias que provaram a validade da Teoria da Relatividade.


Eclipse de Sobral

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