![]() |
![]() |
|
|
| ciência em debate (artigos) Eclipse da Lua No dia 3 de março, o carioca e os demais brasileiros, terão um belíssimo espetáculo gratuito para apreciar na noite de sábado. Logo no início da noite, uns quinze minutos depois do nascer da Lua, que ocorrerá às 18h15, a sombra projetada pela Terra começará a se projetar sobre a superfície do nosso satélite natural. O fenômeno se estenderá até pouco depois das 22h00 e não requer nenhum equipamento especial para ser apreciado. Basta estar num local onde o horizonte não esteja obstruido por morros ou construções, diminuir a iluminação e arranjar uma cadeira confortável para apreciar o fenômeno. Lamentamos que o Espaço Ciência Viva fique numa área densamente construida na Tijuca, de onde o horizonte leste encontra-se completamente bloqueado por construções. Por isto, não estaremos abertos para apreciar o fenômeno com as pessoas interessadas. O eclipse lunar acontece sempre que o alinhamento entre o Sol, a Terra e a Lua beira a perfeição. Quando isto acontece, a sombra da Terra se projeta na Lua e aquilo que deveria ser uma lua cheia brilhante se transforma numa Lua pálida e com uma estranhíssima coloração avermelhada, às vezes alaranjada. Num primeiro momento poderíamos pensar que se aluz do Sol deixa de alcançar a Lua porque a Terra se interpôs deveríamos ter um completo desaparecimento da Lua, mas na prática, verificamos que a atmosfera terrestre age como uma lente e espalha a luz do Sol para o interior do seu cone de sombra. Por isto, ainda resta alguma luz, principalmente na cor vermelha, mesmo quando a Terra bloqueia completamente a iluminação do Sol sobre a Lua. Um astronauta na Lua não veria simplesmente um disco negro encobrindo o Sol, mas sim um disco negro envolvido por um brilhante anél iluminado que corresponde à luz do Sol atravessando todos os amanheceres e anoiteceres da Terra e se espalhando pela atmosfera. Embora os movimentos da Terra e da Lua sejam perfeitamente conhecidos pelos cientistas, os eclipses lunares ainda guardam muito interesse para os astrônomos e deveriam interessar igualmente à população em geral, pois o comportamento do brilho e coloração da Lua durante o eclipse espelham a estrutura da atmosfera terrestre. O assunto pode ser muito complicado, mas sem simplificar demais podemos dizer que se a Lua continuar relativamente brilhante durante o meio do eclipse, então a nossa atmosfera está limpa, livre de poeiras, e a luz do Sol consegue atravessá-la e ser refratada normalmente. Um eclipse onde a Lua fica muito escura e com um tom de vermelho intenso, mostra uma atmosfera saturada de resíduos onde quase toda a luz foi espalhada e absorvida. São muitos os fatores que precisam ser levados em consideração para analisar corretamente estes dados, pois a nossa atmosfera pode ser modificada por eventos como poluição mas também por erupções vulcânicas, que despejam toneladas de cinzas, ou chuvas de meteoros, que deixam milhares de micrometeoros flutuando durante semanas. Também é preciso estudar quais partes da superfície terrestre estavam na "borda" da Terra, vista da Lua, durante o eclipse. Mas mesmo deixando de lado o aspecto científico do evento, um eclipse continará sendo um belíssimo espetáculo, gratuito, e que não requer nenhum auxílio ótico para ser apreciado. Quem dispuser de telescópios ou binóculos poderá usá-los, sem medo, para acompanhar o avanço da sombra da Terra sobre a superfície lunar, mas mesmo aqueles que só dispuserem da companhia dos amigos ou das namoradas(os) poderão apreciar um maravilhoso espetáculo! A Lua nasce às 18h15. A sombra da Terra começa a "morder" a Lua às 18h30. A sombra avança e cobre a Lua completamente às 19h14. A partir deste momento, a Lua permanece pálida e avermelhada durante mais de uma hora até que às 20h58 uma ponta de Lua brilhante volta a aparecer descoberta pela sombra da Terra. Às 22h11, a Lua retoma o seu aspecto normal iluminada e brilhante. Apreciem com moderação! Sergio Lomonaco é membro do grupo de astronomia NGC-51 do Espaço Ciência Viva. |
|