![]() |
![]() |
|
|
| ciência em debate (artigos) O cometa do século que os cariocas não verão Sergio Lomonaco
Para ver o cometa é necessário observar o poente tão logo o sol se ponha. Logo acima do horizonte estará o planeta Vênus, brilhante e pontual, e um pouco a sua esquerda, quase tão brilhante quanto o planeta, estará o cometa Mc Naught, apenas um pouco mais difuso. Na medida em que o céu escureça poderá ser percebida uma tênue cauda, quase vertical, enquanto o cometa mergulha no horizonte. O tempo entre o pôr do sol e o desaparecimento do cometa no horizonte não será maior do que meia hora, portanto é preciso ser rápido e dispor de um horizonte desimpedido. Cometas são grandes blocos de lama congelada, seu tamanho varia entre 5 e 10 quilômetros de comprimento. Vagam pelo sistema solar em órbitas muito alongadas e passam a maior parte do tempo bem distantes do Sol. Quando percorrem os trechos de suas órbitas que os levam a ficar mais próximos do Sol do que o planeta Marte, o gelo de sua superfície começa a sublimar sob a ação contínua do calor do Sol. No vácuo do espaço, o gelo de água não derrete passando para o estado líquido, ao invés disto, a água passa diretamente do estado sólido para o seu estado gasoso, ao que se dá o nome de sublimação. Esta transição provoca tambem um grande aumento no volume da água e esta sublimação quase explosiva forma a grande cabeleira brilhante que envolve o cometa e dá origem à sua cauda. Sendo um cometa jovem, que passou poucas vezes pela parte mais interna do sistema solar, o cometa Mc Naught ainda tem uma grande reserva de água congelada. Passou muito perto do sol, o que provocou uma sublimação muito intensa e criou uma enorme cabeleira (algumas vezes maior do que a própria Terra) e brilha intensamente no céu vespertino. Enquanto isto, o Rio de Janeiro padece sob uma teimosa e espessa camada de nuvens que impede os cariocas e fluminenses de ter qualquer esperança de ver o espetáculo que o sistema solar nos proporciona, e para piorar a situação, fotos feitas a partir do dia 15 de janeiro em outros lugares do mundo revelam que o núcleo do cometa se partiu! Isto é comum em cometas jovens que passam por atividade muito intensa. A sublimação do gelo se dá numa velocidade tão grande que a fraca coesão do nucleo faz com que rache e se desmanche. Com isto, a tendência é a de que o cometa comece a se dissipar no espaço, transformando-se num aglomerado de pequenos cometas e até desapareça para sempre. Seu brilho começará a declinar rapidamente enquanto a cabeleira se dissipa e não é mais reabastecida pela sublimação intensa. Os cariocas têm até o final de janeiro para conseguir ver o cometa, mas estudando as previsões da meteorologia, podemos afirmar que o carioca terá muito poucas chances de apreciar este espetáculo. Uma pena! |
|