| ciência em debate (artigos)

O cometa do século que os cariocas não verão

Sergio Lomonaco
Grupo de astronomia NGC-51 - Espaço Ciência Viva

O mundo astronômico está alvoroçado com o cometa mais brilhante dos últimos trinta anos! O primeiro cometa de 2007, batizado com o nome de seu descobridor Mc Naught, depois de passar bem perto do Sol no início deste ano, brilha intensamente ao entardecer e, muitas pessoas ao redor do mundo, têm conseguido observá-lo ainda com o céu claro, tamanho é o seu brilho!

Para ver o cometa é necessário observar o poente tão logo o sol se ponha. Logo acima do horizonte estará o planeta Vênus, brilhante e pontual, e um pouco a sua esquerda, quase tão brilhante quanto o planeta, estará o cometa Mc Naught, apenas um pouco mais difuso. Na medida em que o céu escureça poderá ser percebida uma tênue cauda, quase vertical, enquanto o cometa mergulha no horizonte. O tempo entre o pôr do sol e o desaparecimento do cometa no horizonte não será maior do que meia hora, portanto é preciso ser rápido e dispor de um horizonte desimpedido.

Cometas são grandes blocos de lama congelada, seu tamanho varia entre 5 e 10 quilômetros de comprimento. Vagam pelo sistema solar em órbitas muito alongadas e passam a maior parte do tempo bem distantes do Sol. Quando percorrem os trechos de suas órbitas que os levam a ficar mais próximos do Sol do que o planeta Marte, o gelo de sua superfície começa a sublimar sob a ação contínua do calor do Sol. No vácuo do espaço, o gelo de água não derrete passando para o estado líquido, ao invés disto, a água passa diretamente do estado sólido para o seu estado gasoso, ao que se dá o nome de sublimação. Esta transição provoca tambem um grande aumento no volume da água e esta sublimação quase explosiva forma a grande cabeleira brilhante que envolve o cometa e dá origem à sua cauda.

Sendo um cometa jovem, que passou poucas vezes pela parte mais interna do sistema solar, o cometa Mc Naught ainda tem uma grande reserva de água congelada. Passou muito perto do sol, o que provocou uma sublimação muito intensa e criou uma enorme cabeleira (algumas vezes maior do que a própria Terra) e brilha intensamente no céu vespertino.

Enquanto isto, o Rio de Janeiro padece sob uma teimosa e espessa camada de nuvens que impede os cariocas e fluminenses de ter qualquer esperança de ver o espetáculo que o sistema solar nos proporciona, e para piorar a situação, fotos feitas a partir do dia 15 de janeiro em outros lugares do mundo revelam que o núcleo do cometa se partiu! Isto é comum em cometas jovens que passam por atividade muito intensa. A sublimação do gelo se dá numa velocidade tão grande que a fraca coesão do nucleo faz com que rache e se desmanche.

Com isto, a tendência é a de que o cometa comece a se dissipar no espaço, transformando-se num aglomerado de pequenos cometas e até desapareça para sempre. Seu brilho começará a declinar rapidamente enquanto a cabeleira se dissipa e não é mais reabastecida pela sublimação intensa. Os cariocas têm até o final de janeiro para conseguir ver o cometa, mas estudando as previsões da meteorologia, podemos afirmar que o carioca terá muito poucas chances de apreciar este espetáculo. Uma pena!

Volta

 

O Cancer de Tabu
Marte, o planeta vermelho, do mesmo tamanho
Plutão - planeta equatorialmente prejudicado
Água: como cuidamos do petróleo do futuro aqui no Patropi?
AIDS e Sexualidade
CINECIEN 06
Avanços e entraves das terapias com células tronco
O cometa do século que os cariocas não verão
Ciência divertida
Eclipse da Lua
Novas Tecnologias da Genética Humana
A ficção científica como narrativa do mundo contemporâneo
Moringa oleifera: que planta é essa, que tudo dá?
Tirando suas dúvidas!
Eclipse parcial do Sol de 11 de setembro de 2007
Einstein e a América Latina