| ciência em debate > nutrição

A EPIDEMIA DO TAMANHO EXTRA GRANDE

Nos Estados Unidos existem registros de aumento de obesos, nas últimas quatro décadas, principalmente entre adolescentes. Os países europeus também foram atingidos por esta epidemia. Uma em cada 13 mortes que acontecem por ano nos países da Comissão Européia (CE) pode ser atribuída ao excesso de peso. Com uma população de cerca de 700 milhões de habitantes, em 15 países, 17% dos adultos têm excesso de peso e cerca de 6,5% são obesos.

No Brasil, com base nas Pesquisas de Orçamento Familiar (POFs) do IBGE, realizadas em 1960; 1980 e 2004 respectivamente, verificaram-se que as mudanças no padrão alimentar do brasileiro, nos últimos 30 anos, abrangeu toda a população urbana do país, com a taxa de obesidade e sobrepeso na população brasileira atingindo 40,6% (38 milhões) da população adulta (95,5 milhões), sendo 11% desses (10,5 milhões) de obesos. A incidência de indivíduos com sobrepeso ou obesos é maior em pessoas com menor ou nenhuma escolaridade, principalmente entre as mulheres. Os dados obtidos mostraram também que, houve uma grande diversificação no hábito alimentar da população, reduzindo o consumo de gêneros tradicionais e aumentando o consumo de produtos industrializados mais calóricos de 1,7 kg para 5,4 kg per capita. A aquisição de alimentos preparados industrialmente alcança na área urbana um percentual 35,84% maior que na rural. Além disso, o brasileiro está fazendo suas refeições mais fora de casa. Na área urbana, o percentual gasto com alimentação fora do domicílio é de 25,74% e na área rural é de 13,07%. O aumento do poder aquisitivo e da estabilidade econômica propiciou uma maior aquisição de produtos industrializados, fazendo aumentar a ingestão de gorduras principalmente pelos indivíduos com menor informação, mas que nos últimos anos tiveram um crescimento de sua renda familiar.

Observa-se que o nível de escolaridade também influencia no hábito alimentar. A população mais escolarizada e esclarecida está buscando diminuir o consumo de gorduras e carboidratos e aumentar a ingestão de vitaminas e minerais através de frutas e verduras Enquanto as mulheres que têm o maior risco de obesidade são as que se encontram na menor faixa econômica da população e com menor escolaridade, as mulheres que vivem nas áreas urbanas, que apresentam além de um bom nível de escolaridade, acesso à informações (medido a partir do hábito de ler jornais e assistir programas educacionais transmitidos por canais de televisão), mostram-se significativa e inversamente associadas ao risco de obesidade.

A facilidade de acesso a variados tipos de alimentos faz com que, diferentemente da população desnutrida que, na sua maioria está nas regiões mais pobres do país, os indivíduos obesos se localizem com maior freqüência nas regiões mais desenvolvidas do Brasil. Recorrendo à história vê-se, de fato, que as pessoas nunca tiveram tantas opções de cardápio quanto agora, principalmente no Ocidente. Os avanços na tecnologia da conservação, armazenamento e transportes de alimentos, quebraram as fronteiras distribuindo pelo mundo enlatados, conservas, queijos, refrigerantes, ketchup, hambúrgueres, pizzas etc.

Variar os alimentos, não exagerar na quantidade e consumir os nutrientes adequadamente perfazem as bases de um bom hábito alimentar. Os órgãos de saúde dos Estados Unidos, com o objetivo de combater principalmente a obesidade, estão encorajando as pessoas ao consumo de um maior grupo de alimentos, como vegetais, frutas, leite, cereais, grãos e carnes. É recomendado pela FAO que de 30% a 35% da energia seja proveniente do consumo de gordura, de 45% a 55% de carboidrato e entre 10% e 15% de proteína.

Volta


 


Quando a alimentação vira problema de saúde pública
A epidemia do tamanho extra grande
História da Alimentação
Alimentação Infantil

................................

Biblioteca virtual
Sites relacionados
Equipe