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| ciência em debate (tema : Dengue; Malária
e Chagas)
ENTREVISTA
Doença de Chagas:
uma doença controlada no país?
Para saber mais sobre Carlos Chagas e sua descoberta, Clique aqui
Por muito tempo esquecida, a doença de Chagas voltou aos noticiários
brasileiros em 2005 após a contaminação de diversas
pessoas que beberam caldo de cana em Santa Catarina. A partir de então
houve grande mobilização em torno do tema. A doença
de Chagas é causada por um protozoário, o Trypanosoma cruzi,
que geralmente é transmitido ao homem por um inseto popularmente
conhecido como barbeiro. Dados da Organização Mundial de
Saúde estimam que 90 milhões de pessoas vivam em áreas
onde há risco de infecção e que 16 a 18 milhões
estejam infectadas. Só no Brasil o número de pessoas infectadas
chegaria a 8 milhões. Para saber um pouco mais sobre o assunto
conversamos com a pesquisadora Lúcia Mendonça Previato,
professora do Instituto de Biofísica da UFRJ e vencedora de um
importante prêmio internacional, o prêmio L’Oreal-Unesco
para mulheres na ciência, devido aos seus estudos sobre a interação
do Trypanosoma cruzi com células humanas. “Apesar de estarem
fazendo quase 100 anos da descoberta da doença de Chagas, o mecanismo
pelo qual o protozoário causa a doença ainda não
está bem esclarecido”, ressalta Lúcia, “por
isso é tão importante o estudo do Trypanosoma cruzi”.
Em 1991, os ministros da saúde da Argentina, Bolívia, Brasil,
Chile, Paraguai e Uruguai assinaram um acordo para erradicação
do barbeiro e eliminação da transmissão da doença
de Chagas nesses países. Esse programa teve bastante sucesso e
houve uma grande redução no número de casos da doença.
Apesar da transmissão pelo barbeiro e por transfusão de
sangue estar relativamente controlada, a transmissão congênita
e por via alimentar persiste. “Casos como o do caldo de cana em
Santa Catarina já aconteceram outras vezes, um deles em uma festa
de casamento no Maranhão onde os convidados se contaminaram ao
beber açaí. O barbeiro é moído junto com a
cana, por exemplo, e a pessoa que bebe se contamina. Devemos tomar medidas
para que casos assim não voltem a acontecer”, diz a pesquisadora.
Lúcia também destaca que a doença de Chagas gera
gastos para o país, já que aproximadamente 30% dos pacientes
na fase crônica da doença desenvolvem sérios problemas
cardíacos e lesões digestivas e ficam incapacitados de trabalhar.
Além disso, o governo gasta com cirurgia, marcapassos, remédios
para o coração entre outros medicamentos para tratamento
dos doentes.
Perguntada por que é tão difícil o desenvolvimento
de uma vacina para a doença, Lúcia nos explica: “O
Trypanosoma cruzi apresenta diversas formas durante seu ciclo de vida,
se multiplica dentro de nossas células e consegue escapar do sistema
imunológico e fazer com que o próprio hospedeiro mantenha
a doença. Essas são algumas das razões pelas quais
é tão difícil o desenvolvimento de vacina e novos
medicamentos”. E o que fica claro diante desse quadro? “Que
a doença de Chagas deve continuar sendo estudada”, conclui
a pesquisadora.
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