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| ciência em debate (tema : Dengue; Malária e Chagas) ENTREVISTA Malária: em busca de soluções A malária é reconhecida como um grave problema de saúde pública no mundo, atingindo cerca de 40% da população e presente em mais de 100 países. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas morrem anualmente por causa de malária, sendo a maioria de crianças com menos de 5 anos. Muitas dessas mortes estão associadas também à combinação da malária com outras doenças, em regiões mais pobres, principalmente da África. No Brasil, a doença ainda apresenta elevado risco de transmissão na região da Amazônia Legal, sendo a maioria dos casos devido ao Plasmodium vivax. No entanto, apesar de haver uma redução geral de casos na região, é preocupante o incremento do percentual de casos de malária por Plasmodium falciparum, o que favorece a ocorrência da doença nas suas formas graves e de óbitos. A região amazônica tem a maior incidência da malária principalmente por ser o local ideal para a proliferação do mosquito Anopheles, transmissor da doença, que se procria nos igarapés, em águas sombreadas, quietas e limpas. Já existem vacinas contra malária em fase de testes. Paralelamente, pesquisas de drogas antimaláricas vêm sendo desenvolvidas. No Brasil, o Laboratório de Malária, do Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em Belo Horizonte, vem desde os anos 80 usando a etnofarmacologia (ciência que estuda as propriedades fármaco-químicas de produtos tradicionalmente usados pelas culturas ancestrais) na busca de novos antimaláricos. A pesquisadora responsável por este projeto, Dra. Antoniana Ursine Krettli, diz que “existem, em todo o mundo, mais de 250 mil espécies de vegetais usadas na medicina popular no tratamento da malária. Apenas a propriedade farmacológica ou bioquímica de 10% delas é que foram estudadas até agora. A cloroquina, sintetizada após a Segunda Guerra Mundial, e suas modificações, resultam no antimalárico mais usado e eficaz no tratamento da malária transmitida pelo P. vivax e P. falciparum (gêneros de plasmódios). Mas, já há regiões que apresentam resistência à droga”. Existe um tratamento para cada tipo de malária. O diagnóstico deve ser feito rapidamente, a fim de que se possa tratar de forma adequada. Os sintomas são muito parecidos com o da dengue, mas a febre é periódica, ocorrendo geralmente de 48 em 48 horas e durando cerca de duas horas. “Mais de 99% das pessoas infectadas pelo P. falciparum, morrem na fase aguda da doença. Com a resistência dos parasitas a alguns medicamentos, o problema se agrava e por esse motivo trabalhamos com a combinação de drogas, a fim de prevenir a seleção dos parasitas resistentes. Por isso, as pesquisas em novos medicamentos são importantes, pois visam a descoberta de novos protótipos, a partir dos estudos das moléculas dessas plantas, permitindo novas drogas antimaláricas e diminuindo a incidência de mortes ou agravamento da doença”, alerta Dra. Antoniana.
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