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Observação do Sol

O Grupo de Astronomia do Espaço Ciência Viva NGC-51 recebeu a visita de pesquisadores do Observatório Nacional, que buscam informações para a construção de um instrumento para observação do Sol. Estiveram conosco: Eugênio Reis Neto, Dra. Jucira Louzada Penna e Sérgio Caldearari Boscardin. O Trabalho consiste em construir um telescópio que propositalmente fornece imagens duplas do Sol e que permitem a medição do diâmetro e da forma do Sol com enorme precisão.

Este tipo de observação foi feito inicialmente na França e o instrumento especial usa uma cuba de mercúrio e um prisma para duplicar a imagem do Sol. Como na latitude do território francês o Sol nunca alcança mais do que 55 graus acima do horizonte, as limitações da reflexão no mercúrio e no prisma nunca foram consideradas um problema, mas no caso do Rio de Janeiro, onde o Sol cruza o zênite no verão, o conceito do instrumento deixou uma enorme lacuna nas oportunidades de observação.

Este tipo de medição vem sendo feito no ON há mais de dez anos e não só o uso do mercúrio, material tóxico e de manuseio delicado, como a restrição de alcance do equipamento, levaram os pesquisadores a propor um novo tipo de instrumento com ótica especial que dispensará o uso do mercúrio e poderá observar o Sol em qualque altura. Com isto, o trabalho brasileiro alcançará um precisão ainda maior, permitindo medições nas altas latitudes heliográficas, onde o equipamento original não obtém boa precisão.

A participação do ECV-NGC-51 consistirá em adaptar uma de nossa lunetas com uma objetiva especialmente cortada no meio e deslocada. Nesta luneta adaptaremos uma "web-cam", o que já tivemos a oportunidade de fazer em outras ocasiões, e apoiar todo o conjunto num dos grandes telescópios do Observatório Nacional em São Cristóvão. As imagens digitais serão analisadas por um programa específico e o diâmetro do Sol será medido a partir da separação entre as duas imagens formadas pela lente cortada. Numa etapa posterior, a luneta adaptada será instalada numa base fixa dentro de uma cúpula no campus do Observatório Nacional e um heliostato
será utilizado para direcionar a luz do Sol na luneta.

Um heliostato, que já foi construido por um dos participantes do NGC-51, é um sistema de espelhos móveis que acompanha o deslocamento do Sol no firmamento e é capaz de direcionar a luz para um telescópio que permanece imóvel. Isto permite a instalação de equipamentos pesados no telescópío sem obrigar a construção de montagens muito robustas e que requerem grande precisão no acompanhamento dos astros no céu.

O trabalho está começando e estão todos convidados a participar. O Grupo de Astronomia se reúne às quartas-feiras no Espaço Ciência Viva.

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